quarta-feira, 7 de junho de 2017

Drave, Portugal


A Drave é uma aldeia mágica perdida no tempo. É uma aldeia sem electricidade, sem rede de telemóvel e sem água canalizada. É uma aldeia onde o dinheiro não tem qualquer utilidade e onde tudo é feito de xisto. É a aldeia que serve de Base Nacional à IV secção do CNE e é um Centro Escutista muito conhecido a nível mundial.

Sempre quis visita-la e descobrir o seu encanto. Apesar das oportunidades, nunca consegui ir até lá. O último fim de semana de Maio foi o escolhido.
Já tinha ouvido falar tanto desta aldeia que as expectativas eram altas. E não desiludiram, nem um pouco. Tudo é mágico, tudo é lindo.



Para um caminheiro, a Drave é um local com imensa simbologia. É um local de refúgio e de abstracção da vida citadina. Viver uns dias na Drave é tudo de bom. Faz bem às relações e a nós próprios. Ouvimos o eu em vez do barulho dos carros. Sentimos o cheiro a natureza em vez do cheiro característico da cidade. Abstraímo-nos da vida online e passamos a dar um valor muito maior à companhia daqueles que estão connosco.
A Casinha, a Casa do Silêncio e a Casa do Fogo deixaram qualquer um perplexo. Isso e os Currais que servem de abrigo para os clãs que vão à Drave e acantonam. São casas/currais totalmente reconstruídas pelos escuteiros e que mostram a capacidade que temos de mudarmos as coisas. 




A Drave tem difícil acesso, visto que não existe estrada que leve qualquer viatura até lá e a aldeia vizinha mais próxima dista a mais de quatro quilómetros. Mas cada passo feito vale a pena. Mesmo sem a aldeia ser "minha", convido-vos a visitarem este recanto no meio das montanhas e a respirarem o ar puro que por lá circula. Convido-vos a visitarem os espaços reconstruídos pelos escuteiros e a verem a beleza de cada paisagem. Convido-vos a ganharem um dia na vossa vida com uma viagem até lá. Espero que gostem e aproveitem ao máximo.




Curiosidades:

* A Drave não tem habitantes, sendo que foi desabitada em 2000;
* Foi ocupada pelo CNE em 1995;
* O seu nome é um diminutivo de uma palavra que em latim significa Ladrão/Bandido visto que era na Drave que os ladrões se escondiam;
* Antigamente, os seus habitantes trabalhavam na agricultura e nas minas de volfrâmio, localizadas perto da Aldeia;
* A festa anual celebra-se a 15 de Agosto e nesse mesmo dia juntam-se os descendentes dos antigos habitantes da Drave assim como os participantes na actividade Sol-a-Sol feita pelo BNIV (CNE);
* O Solar dos Martins, casa dos últimos habitantes da aldeia, e a Capela da Nossa Senhora da Saúde são as únicas "casas" que se mantêm de pé e "fieis" à sua origem;
* Existe um documentário sobre a Drave com o nome de "Drave - Uma Montanha do Tamanho do Homem" (podem ver aqui).


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Endereço: Drave, Portugal.
Como chegar: Sem localização definida mas podem ver como lá chegar a partir do Google Maps (aqui).
Dicas: Levem calçado confortável e adequado à montanha. Não existe nenhum tipo de estabelecimento perto, por isso, levem tudo aquilo que acham que vão precisar como água e comida. Se fizerem algum tipo de lixo, recolham-no. Uma das "leis" da Drave segue-se pela icónica frase de Baden-Powell (fundador do escutismo): "Deixa o mundo um pouco melhor do que o encontraste.". Aproveitem ao máximo. 

*Todas as fotografias são da minha autoria. Não utilizar sem autorização prévia*

3 comentários:

  1. Drave é um sonho para todos os que amam de verdade o escutismo! E é ainda melhor em caminheiro, que tem uma mística tão rica que eu tanto ambiciono! De tudo o que já ouvi é um local mágico e único, cheio de paz e que faz parte dos meus planos futuros, de preferência de lenço rubro ao pescoço! Adorei as fotos e o testemunho!

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    1. Eu adorei, de coração ir lá, e estou a pensar em inscrever-me numa atividade deles no mês de Agosto - o Sol a Sol. Espero mesmo que um dia visites esta aldeia mágica com o lenço vermelho ao pescoço. Tenho a certeza que vais adorar :)

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  2. e fiquei com imensa vontade de lá ir :)

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